TEMA/EDITORIA: Sindical / Saúde / Cidade
CIDADE/UF: Franca (SP)
Servidores da urgência e emergência foram à Câmara pedir apoio contra mudanças “abruptas” na escala, e o sindicato alerta para risco à saúde do trabalhador e à qualidade do atendimento.
FRANCA (SP) — Servidores da urgência e emergência da Prefeitura de Franca levaram à Câmara Municipal a reivindicação pela manutenção da carga horária e da escala de trabalho praticadas há anos no setor. O tema ganhou força após a administração municipal sinalizar alterações na jornada e no regime de folgas, o que gerou mobilização de trabalhadores e protesto no Legislativo, segundo registro de cobertura local. (Notícias de Franca)
A preocupação central da categoria é evitar mudanças feitas “por canetada”, sem diálogo e sem pactuação com quem atua na linha de frente do atendimento — como Samu, prontos-socorros e UPAs, que seriam diretamente afetados. (Notícias de Franca)
Pronunciamento na tribuna pede apoio político e denuncia insegurança
Em fala na tribuna, Samuel Andrade Gomide afirmou representar “os dedicados servidores públicos da urgência e emergência” e pediu que vereadores se posicionem contra qualquer medida que aumente sacrifícios aos trabalhadores da Saúde, ressaltando que “profissionais exaustos estão mais suscetíveis a erros”, o que pode ter consequências graves para pacientes e para os próprios servidores.
O dirigente também relatou que a Prefeitura estaria ameaçando alterar a escala “de maneira abrupta e sem consentimento”, e criticou a possibilidade de imposição de uma escala 6×1, com apenas uma folga semanal, classificando-a como um modelo que “destrói a vida pessoal e profissional” dos trabalhadores.
Além do impacto humano, Gomide associou a discussão à segurança do serviço: para o sindicato, aumento de jornada e escala inadequada podem comprometer a qualidade do atendimento prestado à população, especialmente em áreas onde a pressão emocional e física já é elevada.
“Mudança para sábado” e falta de previsibilidade
Na tribuna, Gomide afirmou ainda que a ameaça de alteração de escala seria imediata — “para este sábado” — e que muitos servidores estariam sem clareza se irão trabalhar, reforçando a crítica à falta de informação e de construção coletiva.
A cobertura do Notícias de Franca descreve que a mobilização na Câmara foi organizada por servidores e membros do sindicato contra tentativas do Executivo de alterar carga horária “passando por cima de acordos coletivos”, além de reduzir folgas e impor turnos que incluiriam troca a uma hora da manhã, horário sem transporte coletivo, segundo o texto. (Notícias de Franca)
Reação de vereadores: proposta de intermediação e comissão
Após o pronunciamento, o vereador Gilson Pelizaro (PT) declarou que a Câmara pode ajudar na intermediação com o Executivo para “ampliar essa discussão” e evitar imposições “goela abaixo”, defendendo diálogo e propondo a criação de uma comissão entre servidores da urgência/emergência e vereadores para abrir tratativas com RH e administração.
Na sequência, a vereadora Marília Martins (PSOL) lembrou que há um acordo com mais de uma década sustentando a escala praticada pela categoria, citou o esforço de trabalhadores na pandemia e criticou mudanças sem negociação, destacando a importância de ouvir quem executa o trabalho.
Gomide agradeceu ainda o espaço cedido pelo vereador Daniel Bassi (PSD) e mencionou apoio prévio dos vereadores Walker Bombeiro (PL) e Marília Martins (PSOL).
O que os servidores pedem
- Manutenção da carga horária e da escala histórica na urgência e emergência
- Negociação e diálogo antes de qualquer mudança de jornada
- Condições de trabalho que preservem saúde do servidor e segurança do atendimento
Contexto
Segundo a reportagem do Notícias de Franca, a reivindicação principal do setor é manter a escala de 40 horas semanais (12×36), diante de propostas do Executivo que envolveriam aumento de carga horária e redução de folgas. (Notícias de Franca)
Ao recordar a questão, os servidores públicos municipais de Franca realizaram uma manifestação na Câmara Municipal, em janeiro de 2025, para protestar contra propostas da Prefeitura que poderiam alterar a jornada de trabalho de profissionais do Samu, UPAs e prontos-socorros. Organizado pelo grupo União dos Servidores, o ato reuniu cerca de 70 trabalhadores, que defendem a manutenção da escala de 40 horas semanais no regime 12×36 e alertaram para possíveis impactos das mudanças nas folgas e nos horários de troca de turno.
Os manifestantes, na época, argumentaram que as alterações poderiam agravar as condições de trabalho de profissionais que já enfrentam alta demanda, escassez de recursos e intenso desgaste físico e emocional. A mobilização também buscou sensibilizar os vereadores e a sociedade sobre a importância de preservar condições adequadas de trabalho para garantir a saúde dos servidores e a qualidade do atendimento prestado à população.












