Em greve São José da Bela Vista, servidores da saúde mantêm apenas urgência e emergência e denunciam sucateamento de ambulâncias e unidades

O colapso da saúde pública em São José da Bela Vista ganhou mais um capítulo alarmante. Em meio à greve dos servidores municipais — que mantêm apenas os atendimentos de urgência e emergência —, veio à tona a denúncia de que a Farmácia Municipal está funcionando sem farmacêutico responsável. O descaso institucional atinge em cheio os moradores mais vulneráveis, provocando atrasos crônicos na entrega de medicamentos vitais da Farmácia de Alto Custo fornecidos pelo Departamento Regional de Saúde (DRS).

A nova denúncia se soma ao cenário de insatisfação conduzido pelo Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Municipais (Sindserv). A greve foi deflagrada após mais de um ano de negociações coletivas travadas e a decisão unilateral da Prefeitura de extinguir a escala histórica de trabalho da saúde.

Farmácia Municipal sem profissional e remédios em falta

A ausência de um farmacêutico responsável técnico não apenas fere resoluções sanitárias e a legislação profissional, mas compromete diretamente a conferência, a conservação e a dispensação de fórmulas controladas.

De acordo com relatos e alertas que circulam entre usuários e servidores, os reflexos já castigam a população dependente de tratamentos contínuos:

  • Atrasos no Alto Custo (DRS): Medicamentos de uso contínuo para doenças graves, que exigem precisão no cronograma de entrega, não estão chegando aos pacientes cadastrados.
  • Sobrecarga dos servidores: As trabalhadoras da farmácia desdobram-se na linha de frente para prestar esclarecimentos, operando sob forte estresse diante da falta de respaldo técnico e da revolta legítima da população.
  • Interrupção de tratamentos: A não entrega pontual de medicamentos de alto valor pode acarretar sequelas clínicas irreversíveis a pacientes crônicos e oncológicos.

“Remédios não chegam e não estão sendo entregues. As funcionárias fazem o que podem, mas o descaso da gestão tomou conta. É uma vergonha e um total desrespeito com quem precisa de tratamento para sobreviver.”

O estopim da greve: quebra de escala histórica e sobrecarga

A crise na assistência farmacêutica soma-se à gota d’água que levou a categoria à paralisação: a alteração autoritária da jornada dos servidores da saúde pelo Executivo municipal.

Sem diálogo ou negociação prévia com o Sindserv, a Prefeitura acabou com a escala de 12×36 com duas folgas mensais, praticada no município há mais de três décadas. A medida impôs plantões exaustivos aos profissionais de pronto atendimento e socorro, gerando um efeito dominó de sobrecarga física e mental na rede assistencial.

Sucateamento generalizado: ambulâncias e equipamentos em risco

O movimento paredista também colocou sob os holofotes a degradação física dos prédios e dos veículos de salvamento:

  • Equipamentos enferrujados: Instrumentais e aparelhos indispensáveis operam desgastados e tomados por ferrugem nas salas de acolhimento, elevando riscos biológicos para pacientes e trabalhadores.
  • Veículos de emergência deteriorados: Ambulâncias e viaturas de suporte avançado (UTIs móveis) enfrentam panes mecânicas e manutenção precária, colocando em risco a vida de pacientes transferidos em estado grave.

Como funciona o atendimento durante a greve

Para preservar vidas e atender rigorosamente aos requisitos legais da Lei nº 7.783/1989, o sindicato e os servidores garantem a manutenção de contingente para serviços essenciais:

  • EMERGÊNCIA (Atendimento imediato): Casos críticos com risco de morte ou lesões irreparáveis (paradas cardiorrespiratórias, traumas severos, infartos, acidentes graves).
  • URGÊNCIA (Assistência rápida): Agravamentos relevantes da condição de saúde que precisam de suporte rápido para evitar a evolução para risco de morte.
  • Rotinas e procedimentos eletivos: Consultas agendadas, exames simples de rotina e serviços burocráticos continuam suspensos ou funcionando sob regras mínimas de contingência.

A categoria e o sindicato reafirmam que a greve é fruto exclusivo da falta de diálogo do governo municipal e cobram a contratação urgente de farmacêutico responsável, a regularização imediata do estoque de medicamentos, a volta da escala pactuada e investimentos estruturais nas unidades.

SERVIÇO:

  • Situação: Greve da saúde municipal com garantia de urgência e emergência.
  • Entidade de classe: Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Municipais (Sindserv).
  • Plantão e orientações: (16) 3723-8540 | WhatsApp: (16) 99757-5392.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Categorias

Publicidade
Publicidade

Assine nossa newsletter

Publicidade

Outras notícias