Em pronunciamento na Câmara, o presidente do SindServ, Samuel Gomide, pediu que vereadores usem “força política” em defesa do serviço público e relatou impactos da desvalorização salarial e da falta de condições de trabalho.
FRANCA (SP) — O presidente do SindServ, Samuel Andrade Gomide, fez um apelo aos vereadores da Câmara Municipal de Franca para que o Legislativo utilize sua “força política” em prol do serviço público e da valorização do funcionalismo. Na fala, direcionada à Mesa Diretora na pessoa do presidente Fransérgio Garcia (PL), e da Frente Parlamentar formada por Gilson de Souza (PT), Marcelo Tidy (MDB) e Marília Martins (PSOL). Gomide afirmou que servidores municipais têm enfrentado desvalorização do salário-base, condições degradantes de trabalho e falta de materiais básicos em diferentes áreas da Prefeitura.
Segundo o dirigente sindical, os relatos que chegam ao sindicato incluem situações em que trabalhadores “precisam trabalhar doentes” para não perder benefícios como o vale-alimentação — que, em alguns casos, representaria parcela expressiva da renda — além de casos de acidentes de trabalho com perda de renda, transferências punitivas e descontos salariais abruptos, sem aviso prévio.
“Clima de desalento” e saída de profissionais
Gomide também afirmou que há um sentimento de desânimo crescente na base, inclusive em cargos de chefia, e alertou para a saída de profissionais qualificados e a intenção de outros em deixar o serviço público por falta de reconhecimento.
“Sem esses trabalhadores motivados os serviços públicos essenciais não funcionam com excelência e quem perde é a cidade”, afirmou, citando áreas como Saúde, Educação, Assistência Social, Finanças, Infraestrutura, Meio Ambiente, Segurança e Cidadania, além de RH, Jurídico e Planejamento Urbano.
Negociação coletiva e referência nacional de reajustes
No discurso, o presidente do SindServ afirmou que o sindicato vem atuando desde o ano anterior na construção do acordo e sustentou que a entidade tem buscado conduzir o processo com boa-fé e dedicação.
Como referência de contexto, boletim do DIEESE sobre negociações coletivas aponta que, nós últimos 3 anos, os trabalhadores têm recebido reajustes acima do INPC garantidos em mais de 80% dos instrumentos coletivos analisados.
(No pronunciamento, Gomide mencionou esse dado para defender que acordos com ganho real têm sido predominantes no país.)
NR-1 e saúde do trabalhador
Gomide também relacionou o debate de condições de trabalho à atualização da NR-1, que passará a exigir a inclusão expressa de fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) a partir de 26 de maio de 2026, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego.
Na avaliação do sindicato, a discussão sobre ambiente laboral e saúde do trabalhador ganha ainda mais peso diante dessas mudanças regulatórias.
Orçamento e capacidade do município
O dirigente citou, ainda, que Franca tem condições de ampliar a valorização do funcionalismo e defendeu que investimentos no “capital humano” são decisivos para manter a qualidade dos serviços.Como pano de fundo, a Câmara aprovou a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025 com estimativa de R$ 1,6 bilhão para o município, segundo cobertura local.
(No discurso, Gomide argumenta que, diante do cenário fiscal, “não dá para aceitar” justificativas genéricas de falta de recursos para recompor e valorizar o salário-base.)rio fiscal, “não dá para aceitar” justificativas genéricas de falta de recursos para recompor e valorizar o salário-base.)



